Como a inversão de papéis no Design de Produto vai engolir quem só sabe desenhar telas.
Nós crescemos assistindo a filmes de ficção científica com uma premissa assustadora: o momento em que as máquinas assumiriam o controle e os humanos seriam reduzidos a meras ferramentas. Baterias para alimentar o sistema.
Sabe o que é irônico? Essa distopia já aconteceu no mercado de Produto e Design. Só que não teve explosões ou robôs de olhos vermelhos. Aconteceu de forma silenciosa, em abas do navegador e atualizações de software.
A inversão de papéis foi brutal e, assustadoramente, 90% dos designers ainda não perceberam.
Até ontem, a dinâmica era clara. Você era o cérebro e o braço da operação. Você abria o Figma, pensava no fluxo, arrastava os pixels, configurava o auto-layout e montava os componentes. Você era o núcleo da produção.
Hoje? A Inteligência Artificial assumiu o trabalho braçal.
Ela gera telas, protótipos, variações de componentes e fluxos inteiros em segundos. A IA se tornou o novo “Júnior” hiperprodutivo da equipe. Aquele que não dorme, não reclama do escopo e custa uma fração de um salário.
E o Product Designer no meio disso tudo? Ironicamente, virou a ferramenta.
Nós nos tornamos o “prompt”. A interface de tradução. Nós somos a ferramenta que o negócio usa para explicar o caos para a máquina executar.
Como Product Design Lead na MB Labs, eu vejo o desespero bater na porta de quem construiu a carreira inteira baseada em ser um “especialista em software”. Se o seu único diferencial hoje é saber usar o Figma muito bem ou fazer protótipos bonitinhos, o seu prazo de validade expirou.
Você está tentando competir em velocidade e custo com um robô. E você vai perder.
O mercado não vai mais pagar salários de nível Sênior para quem apenas “desenha telas”. A máquina faz isso quase de graça. O dinheiro, a partir de agora, vai fluir para uma direção muito específica: para quem sabe o que a máquina deve fazer.
É o fim do designer “apertador de botão” e o início da era do Designer-Arquiteto.
As empresas estão caçando profissionais que dominam regras de negócio. Que entendem de arquitetura de software. Que sabem olhar para um problema caótico de uma diretoria, fatiar isso usando Lógica Absoluta e criar um sistema que dê lucro.
A estética foi comoditizada. A estratégia não.
Na nova dinâmica do mercado, ou você é o arquiteto que comanda a máquina e dita as regras do negócio, ou você é apenas a bateria dela, esperando ser substituído pela próxima atualização de software.
Qual dos dois você escolheu ser?